segunda-feira, 30 de julho de 2012

Abram-se os histéricos (RJ)


Foto: divulgação

Boas mãos trazem bons resultados

            “Abram-se os histéricos” é um espetáculo-aula da Companhia Inconsciente em Cena que versa sobre a histeria no contexto francês em final do século XIX. Tendo como local o Hospital La Salpêtrière e como protagonistas o professor Jean-Martin Charcot, além de Sigmundo Freud e Joseph Babinski, em cena, estão alguns debates científicos/acadêmicos a respeito dessa, então, novidade médica. Com texto de Antônio Quinet e de Regina Miranda e com direção da segunda, a peça apresenta um resultado esteticamente interessante para a proposta árdua. Além de boas interpretações, o espetáculo tem vários momentos coreografados que merecem elogios efusivos. Lê bem a peça quem entende, desde o princípio, que o protagonista da história não são os personagens centrais, mas o tema: a histeria.
            Debates longos e com termos difíceis, que preenchem boa parte dos quadros dialogados nos quais as interpretações de Lourival Prudêncio (Prof. Charcot), Jano Moskorz (Babinski) e de Evandro Manchini (Freud) se mostram fortes, com intenções bem definidas e expressas de forma rica e com hábil uso do tempo e do espaço, fazem o espectador desavisado interessar-se pelos personagens e por seus conflitos internos. Na mesma medida, estão as seqüências em que Patrícia Niedermeier interpreta Sarah Bernhardt acompanhada de Marina Salomon, Aline Deluna, Marina Magalhães e de Berenice Xavier, que dão vida a outras personagens-testemunhas desse momento histórico. No entanto, de fronte para a tediosa descrição da doença (?) e seus detalhes, o ritmo parece se alongar até quase perder-se. É então que felizmente a percepção de que o que faz as cenas acontecerem não é o destino dos personagens participantes e seus conflitos, mas as conseqüências sociais da abertura das aulas em Salpêtrière se faz necessária: o estudo, a propagação dos debates para além dos muros do hospital, a discussão sobre gênero e sobre comportamento humano e, sobretudo, a histeria enquanto motivação para a arte e, posteriormente, para a pesquisa acerca da nascente psicanálise. É no final da peça que Miranda deixa isso claro, é lá que está o bem-vindo e tradicional ápice. Tem-se aí, pois, uma produção que vence o desafio da didática e da simples galeria com méritos artísticos.
            Em todos os aspetos que compõem a cena, a saber, iluminação (Dani Sanchez), figurinos (Luiza Marcier) e trilha sonora (José Eduardo Costa Silva), os resultados são bastante positivos desde os detalhes visuais/sonoros até a forma como eles se relacionam com a cena, propondo diferentes níveis de fruição. A utilização do espaço do Teatro Tom Jobim de forma alternativa também é positiva.
            Definitivamente, uma das grandes belezas do teatro é saber que tudo pode virar teatro. O melhor é quando isso se dá em mãos habilidosas como aqui é o caso.

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Ficha técnica:
Texto: Antonio Quinet e Regina Miranda
Adaptação do texto “A Lição de Charcot” de Antonio Quinet
Encenação e Direção: Regina Miranda
Elenco: Lourival Prudêncio, Marina Salomon, Patrícia Niedermeier, Aline Deluna, Marina Magalhães, Berenice Xavier, Jano Moskorz e Evandro Manchini
Figurinos: Luiza Marcier
Iluminação: Dani Sanchez
Trilha sonora: José Eduardo Costa Silva (compositor e diretor musical), Marcus Neves (desenho de som), Herbert Baioco (pesquisa de material sonoro), Ernesto Hartmann (Piano) e Márcia Lyra (Soprano)
Realização: Atos & Divãs Produções Ltda

sábado, 28 de julho de 2012

É culpa da vida que sonhei ou dos sonhos que vivi (RJ)


Foto: divulgação

Ótimo texto de Iuri Kruschewsky em espetáculo interessante

            A melhor coisa de “É culpa da vida que sonhei ou dos sonhos que vivi” é o texto se a sinopse da peça não for lida antes dela começar. Iuri Kruschewsky cria uma situação tão bem amarrada dramaturgicamente que o espectador desavisado tem a chance de se deliciar na dúvida a respeito do que ocorre no plano da realidade e do que acontece na imaginação do protagonista. Alex é quem guia a história. Ele é escritor e está trabalhando em mais um romance. Os outros personagens que aparecem se perdem na mistura entre ficção e não-ficção, entre sonhos vividos e vida idealizada. Sem conseguir jamais estabelecer um traço que defina quem está de qual lado, a audiência tem a sua disposição um belo espetáculo que faz pensar sobre a quantidade de sonhos que nutrem a nossa existência e tem um exemplo de avaliação sobre as conseqüências disso. Com direção do próprio Kruschewsky, o espetáculo apresenta uma boa movimentação cênica e propostas estéticas bastante interessantes, embora tenha um elenco cujo trabalho é desequilibrado infelizmente.
            Bruno Quaresma, que interpreta Alex, está exagerado em boa parte da encenação. Com excesso de força nas expressões, falta delicadeza na apresentação do seu personagem e, com isso, marcas de verdade, apagamento de teatralidade, convite para a catarse. Kelly Iranzo, que interpreta Maitê, a esposa de Alex, está bem até a chegada de um ponto dramaticamente mais forte. A força que sobra em Quaresma lhe falta a partir daí e as palavras parecem não caber na boca da personagem. Manoel Madeira apresenta um Alex diegeticamente fictício bastante fleumático no início e mais desmarcado no fim, o que é positivo. No entanto, suas aparições são pequenas, o que lhe impede, talvez, de mostrar um trabalho destacável. A melhor atuação da montagem é de Marianna Pastori, que interpreta Karina. Sua participação é ativa, seus gestos são bem desenhados, sua voz é explorada em diferentes níveis, há força e ardilosidade na medida certa.
            São interessantes o desenho de luz de João Gioia, que mantém a dúvida citada quando deixa acesa a luz sobre a máquina de escrever, e o cenário de Carlos Augusto Campos, que, fazendo com que todos os móveis saiam de dentro de malas, suspende o conceito de viagem como lugar intermediário onde tudo ocorre. Falta infelizmente maior exploração da concepção de figurinos, cujas opções não embelezam os personagens que, nesse contexto de sonho, precisariam estar mais “perfeitos”.
            “É culpa da vida que sonhei ou dos sonhos que vivi” é um drama contemporâneo que diz muito para os dias de hoje, quando é fácil se deixar levar por sonhos, vontades, desejos do coração e da mente criativa. O espetáculo, por isso, há de cumprir uma bela carreira.

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Ficha técnica:
Direção e Dramaturgia: Iuri Kruschewsky
Elenco: Bruno Quaresma, Kelly Iranzo, Manoel Madeira e Marianna Pastori.
Produção: Gustavo Rodrigo Herdt e Proposta A6
Iluminação: João Gioia
Figurino: Ticiana Passos
Cenário: Carlos Augusto Campos
Sonoplastia: Pedro Poema
Assistente de direção: Ana Beatriz Macedo
Coreografia: Luiza Azeredo
Assistente de cenografia: Samanta Toledo

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Apenas o fim do mundo (RJ)


Foto: divulgação

Belíssimas interpretações

            “Apenas o fim do mundo” estreou no Teatro Serrador, trazendo uma nova versão para o texto do francês Jean-Luc Lagarce (1957-1995). Escrito em 1990, quando o autor se descobriu portador do vírus HIV, o texto já foi encenado no Rio de Janeiro sob direção de Marcio Abreu. Agora, pelas mãos de Brunella Provvidente, a montagem chega ao palco com Pedro Henrique Nunes no papel do protagonista Luiz, e com Dulce Penna de Miranda (Suzana), Kelzy Ecard (a mãe), Vicente Coelho (Antônio) e com Letícia Guimarães (Catarina) compondo o elenco. Depois de muitos anos longe de casa, Luiz resolve voltar à sua família para contar-lhes que irá morrer em breve. Como na parábola do filho pródigo, como em Pterodáctilos (Nick Silver) e como em O Idiota (Dostoievski), o retorno ao lar tem conseqüências inesperadas. O título “Apenas o fim do mundo” é irônico, afinal, “nada demais irá acontecer: apenas o fim do mundo”. Autor dos conhecidos “Regras dos usos e costumes da sociedade moderna” e “História de amor”, Lagarce aqui, diferente dos outros textos, conta uma história, mas conta do seu jeito.
            Os diálogos são repletos de tergiversações que cansam o espectador que não percebe a relação dessas voltas com a situação dramática em questão. O modo de falar indireto, difícil e repetitivo concretiza na oralidade as ações/não-ações que estão acontecendo na evolução dessa visita inusitada. Todos os atores exibem um magnífico trabalho de interpretação: riqueza na exploração dos recursos de voz, emoções expressas de forma equilibrada e pontual, gestual bem marcado. Na direção de Provvidente, assistida por Eduardo Rios, embora os personagens se olhem uns aos outros, os atores nunca o fazem. O estranhamento conseqüente marca na cena o que o texto faz enquanto literatura. O nome disso é teatro inteligente.
            A direção de arte optou pela exploração dos tons de verde. Luiz é o único que não usa a cor. Os figurinos de Gláucia Torquato e Tiago Cardozo, sobretudo nas roupas de Suzana e de Catarina são ricos em detalhes. A iluminação de Renato Machado procura deixar um foco aceso sobre o rosto de Luiz quase o tempo inteiro, marcando ele como alguém que vem purgar o seu fim, mas acaba fazendo os outros purgar as suas decepções. O ritmo, conduzido também pela trilha sonora de Diogo Pereira, exige muita atenção do espectador, sendo lento e delicado em quase toda a narrativa, convidando a audiência para prestar a atenção nas sutilezas das emoções que afloram.
           
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Ficha técnica:

Texto: Jean-Luc Lagarce
Direção: Brunella Provvidente
Elenco: Dulce Penna de Miranda, Kelzy Ecard, Letícia Guimarães, Pedro Henrique Nunes, Vicente Coelho.
Preparação de elenco: Rafael Souza Ribeiro
Assitência de direção: Eduardo Rios
Produção: Helena Castro
Trilha sonora original: Diogo Pereira (Ahmed)
Iluminação: Renato Machado
Figurinos: Glaucia Torquato e Tiago Cardozo
Programação visual: Marina Benigni
Imagens: Javier Abi-Saab

Kaspar (RJ)


Foto: divulgação

A linguagem em um teatro raro na cena comercial

            “Kaspar” traz para o Rio de Janeiro uma leve menção à curiosa história de Kaspar Hauser (1812-1833). Na Alemanha, o garoto fora seqüestrado ainda bebê e privado do contato externo de várias formas. Aprisionado em uma cela pequena e escura, até os dezesseis anos, aprendera a ler e a falar algumas palavras sem saber o significado delas. Quando “depositado” em uma praça de Nuremberg, na Alemanha, a única frase que conhecia era: “Eu quero ser um cavaleiro como meu pai o foi.” Hauser não sabia o que a frase significava, não conhecia que os sons das palavras tinham sentido. Tendo recebido abrigo de muitas pessoas, foi motivo de numerosas investigações, morrendo aos 21 anos assassinado por desconhecidos. Nada disso, no entanto, vai encontrar que for ao Teatro Maria Clara Machado assistir à produção dirigida por Evângelo Gasos. Em cena, “Kaspar” é uma peça adramática interessante para quem tem paciência para o gênero, uma adaptação de Gasos e Rita Lemgruber para o original do austríaco Peter Handke.
            Escrito em 1967, o texto não oferece nenhuma história ao espectador. Não há personagem, não há situações, não há tramas, nem linha de tempo ou indicadores de espaço. Dentro do gênero adramático, está, por exemplo, a performance, que se difere do trabalho em questão, porque aqui há definições muito claras de movimento e não há lugar visível para improvisações. O texto versa sobre a linguagem, o poder da língua, do idioma, da fala. Não há diálogos estruturados como em uma conversa, mas frases que justapostas trazem ao tema diferentes contribuições. Vê se um ator, uma sutil referência a Kaspar, surgir de um emaranhado de roupas e outras duas figuras a interagir com ele. A situação, em todo o espetáculo, gera diferentes tipos de possibilidade de sentido e essa é a intenção desse gênero cênico. Há jogo estabelecido entre as figuras sem nome, característica ou origem, os gestos são bastante definidos e as marcações bem expressas, as intenções são neutras, resultando em uma fruição a contento. O ritmo, num espetáculo que nega o tempo, é difícil de avaliar pelo altíssimo grau de subjetividade a que se destina a produção. No entanto, pode-se dizer que a evolução dos quadros contribui postivamente para o espetáculo em quase todo o tempo da encenação.
            Os figurinos de Mariella Pimentel e os objetos cênicos de Janaína Ludka e Isabel Noronha não conferem à obra unidade, mas ampliam a capacidade do seu esforço em  não-ser. O mesmo, felizmente, não faz o excelente desenho de iluminação de Vitor Emanuel que, além de dar força para a evolução dos quadros, é elemento fundamental na constituição de cenas cujos resultados imagéticos são potentes.
            Com lugar aberto para Peter Handke e para um tipo de teatro raro na cena carioca, “Kaspar” é uma boa opção não só para quem gosta de refletir sobre a linguagem e sobre o poder do silêncio.

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FICHA TÉCNICA

Autor: Peter Handke
Adaptação: Evângelo Gasos e Rita Lemgruber
Direção: Evângelo Gasos
Elenco:  Matheus Lucena, Rita Lemgruber, Luiz Paulo Barreto, Chico Rondon, Shizue Morimoto, Zeca Carvalho,  Fernando Carvalho e Pedro Pedruzzi.
Assistência de Direção:  Lucas Calmon
Produção: Evângelo Gasos
Iluminação: Vitor Emanuel
Cenografia: Janaína Ludka e Isabel Noronha
Figurino: Mariella Pimentel (em memória) e Roberta Zdanowsky
Assistência de Figurino: Flávia Wajnbergier
Pesquisa Musical e desenho de som: Evângelo Gasos
Design: Levante Design
Foto: Luiz Oliveira
Realização: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Savana Glacial (RJ)


Foto: divulgação

O lugar do espectador na boa narrativa

            “Savana Glacial” foi eleito um dos melhores espetáculos teatrais de 2010 e é, sem dúvida, um dos melhores a partir de texto de Jô Bilac, que ganhou com ele o seu Prêmio Shell de Melhor Dramaturgo. Com direção de Renato Carrera, a situação é simples. No passado, houve um acidente de trânsito e Meg, que dirigia o carro, passou a sofrer com perda de memória recente. Para tentar aliviar o problema, seu marido, Michel, muda-se com ela para um novo apartamento. Lá eles conhecem Ághata, uma maquiadora que mora no mesmo prédio. O jogo parte da relação conflituosa entre os três personagens: Meg faz bolos de aniversário por encomenda, Michel está escrevendo sua primeira peça de teatro, Ághata maquia defuntos. Produzido pela Cia. Físico de Teatro, a encenação tem um ritmo interessante, excelentes interpretações e é de altíssima qualidade estética.
            O que mais chama a atenção nos diálogos desse texto de Jô Bilac são as contradições. Savana é um lugar quente, glacial é um adjetivo frio. Entra e Sai são opostos. Há quem escreva para lembrar, há quem escreve para criar. Há quem faz amizades para se aproximar, há quem se aproxima para afastar. Apesar dos momentos cômicos, o riso vem mais como forma de arejar as tensões do que propriamente de gags quase inexistentes. Michel cuida com amor da sua esposa doente. Estará ele ficado doente também?
            Renato Carrera soube aproveitar as dicotomias muito bem: Michel e Meg, interpretados por Renato Livera e Andreza Bittencourt, têm interpretações mais próximas do real como oposição estética à Agatha, interpretada por Camila Gama, com bem mais marcas teatrais. O jogo de claros e escuros, as cores que banham o palco por luzes fluorescentes, uma mesa torta e poucos abajures são espaço para esse choque de tensões e diferentes equilíbrios que preenche o palco nos excelentes setenta minutos de encenação. Bem escrito o texto é dito bem: há contornos, há nuances, há pausas bem dadas e corridas bem postas. Como um todo, a encenação oferece motivos que confirmam a boa fama acumulada nesses dois anos.
Renato Machado, Flávio Souza, Mariana Ribas e Jamba assinam a iluminação, o figurino, a cenografia e a trilha sonora: elementos estéticos que agem, em sua totalidade, de acordo com a proposta, elevando os valores do texto nos detalhes e propiciando à audiência uma fruição adequada e inteligente. O ponto alto da peça está no final: o que Michel escreve em sua peça depois de tudo? Eis a gentileza do teatro em deixar valorizado o lugar do espectador na boa narrativa.

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Ficha técnica:
Idealização: Camila Gama e Renato Livera
Direção: Renato Carrera
Texto: Jô Bilac
Atuação: Andreza Bittencourt, Camila Gama, Diogo Cardoso e Renato Livera
Preparação Corporal: Lavinia Bizzotto
Trilha Sonora: Jamba
Iluminação: Renato Machado
Cenografia: Mariana Ribas
Figurino: Flávio Souza
Realização: Físico de Teatro

domingo, 22 de julho de 2012

Doidas de Santas (RJ)


Foto: divulgação

A vida só vale a pena com amor

            “Doidas e Santas”, a partir do livro de Martha Medeiros, lota o teatro há dois anos e promete mais. Com dramaturgia de Regiana Antonini e com direção de Ernesto Piccolo, a comédia dramática emociona e faz rir com altas doses de auto-ajuda. Sai-se de lá identificado de alguma forma com a história, certo de que o divertimento entreteve e, de certa forma, comovido com uma bonita história.
            Cissa Guimarães interpreta Bia, uma mulher às portas dos 50 anos, psicanalista de profissão, mãe, esposa, filha e irmã por destino. Com o casamento em crise após 20 anos, Bia sente a necessidade de dar um novo rumo para a sua vida antes que seja tarde mais. E é isso que ela faz. “Doidas e Santas” fala de casamentos longos, relacionamentos novos, família e, também, de oportunidades de ser feliz. Guimarães está muito bem no papel, dialogando de uma forma ágil tanto com os outros personagens como com o público que participa da peça expontaneamente, sinal de que a identificação está plenamente estabelecida. Josie Antello e Giuseppe Oristanio dão vida aos personagens mais caricatos: o marido, a mãe, a filha e a irmã de Bia. Dispostos nesse sentido, também oferecem bons trabalhos. Dentro do previsto, fazem rir, constroem a figura do vilão e, depois, do mocinho, fazem contraponto com a protagonista, essa dona das frases de efeito e da condução da narrativa.
            O cenário de Sergio Marimba e o figurino de Helena Araújo e Djalma Brilhante agem a contento, isto é, são discretos e, assim, eficazes para o ritmo com que a narrativa precisa ser contada. A trilha sonora de Rodrigo Penna e o desenho de luz de Jorginho de Carvalho marcam a evolução da narrativa adequadamente.
            A vida só vale à pena com amor. Sejam doidas e santas, doidos e santos, une os homens o desejo de amar e de ser amado. Eis aí um bom divertimento.

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Ficha Técnica:
Do livro de Martha Medeiros
Texto: Regianna Antonini
Direção: Ernesto Piccolo
Direção de Produção: Maria Siman
Desenho de luz: Jorginho de Carvalho
Cenografia: Sergio Marimba
Figurino: Helena Araújo e Djalma Brilhante
Trilha Sonora: Rodrigo Penna
Projeto Gráfico: Thomaz Velho, Darlan Carmo e Felipe Braga
Assistência de direção: João Velho
Direção de Palco: Marcinho Domingues
Operação de Luz: Marco Cardi
Operação de Som: Kelson Alvarenga
Assistência de produção: Mayara Máximo
Produção Executiva e Administração: Bruna Ayres
Gerenciamento de Projeto: Paula Salles
Realização: BG Produções Artísticas e Primeira Página Produções Culturais

Elenco:
Cissa Guimarães
Giuseppe Oristanio
Josie Antello
            

Eu é um outro (RJ)


Foto: divulgação

As imagens de Rimbaud: um ótimo espetáculo

            “Eu é um outro”, com direção de Isabel Cavalcanti e dramaturgia de Pedro Brício, é um espetáculo baseado na obra do poeta francês Arthur Rimbaud (1854-1891). Não muito longe de ser mais uma peça biográfica (e o Rio de Janeiro está cheio delas), o ponto alto da produção é não dispensar o que de melhor tem o artista: a sua arte. Assim, detalhes da vida de Rimbaud interessam pouco ao trabalho encenado, mas a sua poesia vale muito. Cavalcanti e Brício, eis o maior mérito da dupla, não têm medo de poesia. As palavras continuam sendo palavras, e palavras lidas, o que é melhor. Foge-se de tentativas sempre frustradas de dar ação às palavras dos outros, mas encara-se a celebração dos textos desse outro, um dos mais comemorados poetas simbolistas, com galhardia.
            A obra de Rimbaud encontra nessas últimas décadas o seu lugar. Nunca a imagem fez tanto sentido para a humanidade: o cinema, a internet, celulares com câmeras, ônibus com anúncios de propaganda, álbuns de fotos compartilhados em redes sociais, avatares. No momento em que esse aspecto é pego pela produção para tratar do poeta, o que ele escreveu na França na segunda metade do século XIX dialoga como o homem de hoje de igual para igual. Duas outras histórias são contadas em paralelo a de Rimbaud: numa delas, no Rio de Janeiro de 1972, o livro “Uma estadia no inferno” é censurado. Na outra, em Paris de 2005, um professor é assaltado por um ex-aluno, convidando-lhe para fazer parte em uma encenação. Se, na primeira, a imagem fica impossibilitada de ser vista, na segunda, ela precisa causar impacto. Se nós somos uma parte do outro que não é o outro, então, até mesmo a imagem é fluída, pois ela também se mostra em parte a uma parte de nós mesmos. Rimbaud está nesse caminho, nesse processo de fazer ver que os cenários que se parecem com a nossa realidade são, na verdade, apenas passagem. É nesse princípio que se encontra o argumento da produção tão bem vinda no teatro carioca. Eis a liberdade e o amor de Rimbaud.
            Alcemar Vieira e Lorena da Silva lideram positivamente o elenco também composto por João Velho, Ana Abbott e André Marinho. De um modo geral, todos oferecem um belo trabalho de interpretação, dosando com complexidade a ironia, as emoções, as passagens mais leves e aquilo que é mais delicado. Na interpretação de Rimbaud, João Velho oferece ao personagem a inconstância de que ele precisa, parecendo jovial e irresponsável, mas não menos comprometido consigo próprio e com suas visões. Fernando Mello da Costa, Rui Cortez, Tomás Ribas e Tato Taborda assinam cenário, figurino, iluminação e direção musical como se fossem apenas uma só pessoa no projeto de direção de arte da obra. Em todos os elementos, e nisso resssaltam-se as participações das perigosas, mas bem feitas, projeções de Paola Barreto e Lucas Canavarro, “Eu é um outro” se apresenta como um espetáculo cuidadoso e nobre, inteligente, profícuo e, por tudo isso, bastante interessante. O ritmo, que se dá através das quebras entre os diversos momentos da dramaturgia, não cai em nenhum momento, mas deixa, para o final, um de seus melhores ganhos. É a hora de voltarmos à questão inicial: por que Rimbaud largou a literatura e foi se aventurar no interior da África?
            “Eu é um outro” é um espetáculo sobre imagens: há quem as valorize a ponto de não querer se desfazer delas, a quem as valorize a ponto de ir em busca de novas, mas não há, sobretudo hoje, quem viva sem elas.

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Ficha técnica:
Direção: Isabel Cavalcanti
Dramaturgia: Pedro Brício

Elenco:
Alcemar Vieira
Ana Abbott
André Marinho
João Velho
Lorena da Silva

Cenografia: Fernando Mello da Costa
Figurino: Rui Cortez
Iluminação: Tomás Ribas
Direção Musical: Tato Taborda
Direção de Movimento: Cristina Moura
Projeções: Paola Barreto e Lucas Canavarro
Preparação Vocal: Letícia Carvalho
Design Gráfico: Sônia Barreto
Assistente de direção: Érika Riba
Assistente de figurino: Rodrigo Abreu
Operador de Luz: Wallace Furtado
Operador de Som e contrarregra: Bárbara Montes Claros
Operador de Imagem: Rodrigo Lopes
Gerente de Projeto: Rodrigo Gerstner
Produção Executiva: Bárbara Montes Claros
Direção de Produção: Celso Lemos e Lílian Bertin
Idealização: André Marinho e Christiane Braga

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Histórias de família (RJ)


foto: divulgação

Sem diálogo com a plateia
  
            “Histórias de família”, o novo espetáculo da Companhia Amok Teatro, tem belas interpretações, mas é uma peça muito difícil de assistir. O espectador não encontra facilmente marcas na encenação que o ajudem a fruir a obra, de forma que ela fica fechada em si e, consequentemente, seja monótona. Depois dos excelentes, “O dragão” (2008) e “Kabul" (2010), muito elogiados por aqui, a “Trilogia da Guerra” se encerra de um jeito muito estranho infelizmente. Em “Histórias de família”, o grupo realiza uma montagem do texto da dramaturga sérvia Biljana Srbljanovic, que, pela primeira vez, tem uma produção encenada no Brasil. No texto, que foi censurado na Sérvia, a autora tenta descrever a confusão na qual seu país mergulhou, sob a liderança de dirigentes cuja ideologia levou toda a região dos Balcãs à barbárie e à destruição. No entanto, em termos dramatúrgicos, paira uma certa ausência de decisões estéticas que dêem segurança para quem está vendo.
            Quando a história ou enredo não é para fazer sentido, é uma coisa. Quando é, outra. Numa sucessão de pequenas seqüências, é muito fácil se perder na plateia dessa produção: são crianças brincando, é uma família convencional, o filho é filho, o cachorro é cachorro? Além disso, as cenas têm muito mais de descrição do que de narração. Sabe-se que o pai é daquele jeito, que a mãe é daquele jeito, mas não há acontecimentos que realmente sustentem internamente cada momento, menos ainda, no todo. O resultado final é um painel de uma ou mais famílias durante a guerra da Sérvia sem que se saiba exatamente quais são os componentes desse painel.
            Como nas outras montagens, o trabalho de interpretação é primoroso. Stephane Brodt é um excelente ator e, também aqui, oferece um magnífico desempenho. Rosana Barros e Bruce Araújo completam o conjunto mantendo o nível de excelência. Há, ainda, a participação de Christiane Góis que, como os demais, está corporalmente completamente entregue à cena, com gestos e expressões bem postas, tons de voz ricamente explorados e movimentação pontual. A iluminação de Renato Machado é um dos pontos altos da produção, marcando o tempo e produzindo sentido em completa união com os elementos visuais e cênicos, o que é ótimo. O ritmo, mesmo assim, emperra na dramaturgia que não avança. Ao longo das cenas, sabe-se exatamente o mesmo que ao fim da primeira.
            Sem saber se se ri dos exageros ou se se comove com os depoimentos, “Histórias de Família” não conversa bem com o público, deixando ele de fora de suas boas intenções, embora permaneça falando muito. A respeitável Companhia Amok de Teatro, infelizmente, como todos os grupos, produz um teatro que é vivo e, por isso, nem sempre elogiável em sua plenitude.

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FICHA TÉCNICA
Cia: Amok Teatro
Texto: Biljana Srbljanovic
Direção e Adaptação: Ana Teixeira e Stephane Brodt
Elenco: Bruce Araujo, Christiane Góis, Rosana Barros e Stephane Brodt
Iluminação: Renato Machado
Cenário: Ana Teixeira
Figurinos e Objetos de cena: Stephane Brodt
Costureira: Dora Pinheiro
Cenotécnico: Manoel Puoci
Operador de Luz: Rodrigo Maciel
Projeto Gráfico: Paulo Barbosa Lima
Produção: Erick Ferraz

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Dentro (RJ)


Foto: divulgação

Ótimo

            “Dentro” é o novo espetáculo da Pequena Orquestra, um coletivo de oito jovens atores, diretores e autores, cujo foco de interesse é o cruzamento das artes visuais, dança, música e performance na criação de uma dramaturgia e de uma interpretação que não sejam exclusivamente pensadas pela tradição teatral. O espetáculo, assim, quer e consegue dar conta de ser referencial para um mundo a partir de sua complexidade, das relações fluídas (ou líquidas?), das quebras oficiais de paradigmas. Um mundo está desabando do lado de fora e, lá dentro, seis pessoas dividem a sobrevivência. Enquanto as mulheres saem para ganhar a vida, os homens, extremamente raros no contexto externo, ficam em casa às escondidas. Com direção de Michel Blois, a peça é uma resposta bem dada à civilização desorganizada apesar dos parâmetros, aos homens éticos apesar dos exemplos e à necessidade de esconder-se apesar da liberdade.
            O texto tem todas as marcas do teatro contemporâneo ou pós-dramático que conhecemos: frases desconectadas, diálogos repetidos, personagens não suficientemente claros, situação difusa. Dividido em duas partes, na primeira, é visível o esforço do texto em não fazer sentido, isto é, não indicar significados estanques. Em substituição a eles, há a menção, o corte ágil dos diálogos bem ditos, a não contextualização de nenhuma informação. Na segunda parte, quando uma notícia de jornal aparece e tentar pôr ordem no caos estético, há uma certa reorganização na relação da obra com o público. Como se uma nova peça começasse, o que não era para fazer sentido, agora, começa a encontrar significados e se estabelece a positiva “corrida para o fim”. Em união à fala inicial, o final faz lembrar de Anne Frank: aquele espaço e aquelas relações deixam de existir.
            De forma bastante positiva, todo o elenco está ótimo em suas interpretações. Fabricio Belsoff, Fernanda Félix, Joana Lerner, Michel Blois, Pedro Henrique Monteiro, Thiare Maia e Átila Calache (em uma pequena participação, substituindo Rodrigo Nogueira) dizem o texto com verossimilhança, deixando evidentes marcas que aproximam o público desse universo paralelo. A opção por fazer o público assistir à peça de dentro do palco é excelente, pois convida o espectador a ser parte desse lugar seguro, dentro do qual se está protegido do mundo que despenca do lado de fora. O cenário de Rebecca Belsoff e o figurino de Antônio Guedes parecem ser um elemento só, o que é ótimo: realçam a desorganização, mas deixam pistas para o reconhecimento das identidades. No mesmo sentido, a iluminação de Ana Kutner e a trilha sonora de Rodrigo Marçal, que desaparecendo, cumprem bem o seu papel de conduzir a obra sem ser a obra.
            Longe de uma realidade cheia de causa e de efeito, a situação de “Dentro” assume o que o lado de fora, talvez, não assumiu e, por isso, está ruindo: nem tudo na vida são degraus que nos levam ao agora. Há muito de completamente inútil na existência e, nem por isso, desagradável.

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Ficha técnica:
Direção: Michel Blois
Elenco e Dramaturgia: Pequena Orquestra [Fabricio Belsoff, Fernanda Félix, Joana Lerner, Michel Blois, Pedro Henrique Monteiro, Rodrigo Nogueira e Thiare Maia]
Iluminação: Ana Kutner
Cenografia: Rebecca Belsoff
Trilha Sonora: Rodrigo Marçal
Figurinista: Antônio Guedes
Assistente de Direção: Átila Calache
Arte Gráfica: Felipe Braga
Foto: Ana Alexandrino
Produção: Fabricio Belsoff e Michel Blois
Produção Executiva: Isabel Sangirardi
Assessoria de Imprensa: Daniella Cavalcanti
Financeiro: Ana Lucia e Thiago Libonati
Colaboradores: Fernando Libonati e Pequena Central
Apoio: Galpão Gamboa

domingo, 15 de julho de 2012

Bandeira de Retalhos (RJ)


Foto: Ricardo Gama

Digno de plateias cheias

            “Bandeira de Retalhos” é a nova produção do Grupo Nós do Morro, com direção geral de Guti Fraga e Fátima Domingues. Escrito na forma de roteiro cinematográfico em 1979, o texto de Sérgio Rodrigues, que também assina a direção musical, é sobre um fato verídico acontecido em 1977, quando o governo tentou expulsar parte dos moradores do Vidigal. Eles resistiram e, com o apoio da população, de setores da igreja católica e da imprensa, mudaram a demografia do Rio de Janeiro para sempre. O espetáculo acontece dez anos depois de “Noites do Vidigal”, peça que retratava o cotidiano do morro, dois Shakespeares, uma adaptação de contos de Machado de Assis, e um Gorki. É o grupo voltando seu olhar para si mesmo.
            Enquanto musical, a peça tem dois problemas: cantores e ritmo. Faltam bons cantores em “Bandeira de Retalhos”. A maioria dos atores parece fazer esforço para cantar enquanto, na plateia, o público precisa fazer força para entender muitas palavras ditas nas belas letras. A estrutura, a ordem de entrada e de saída dos números musicais está ótima e faz o público brasileiro se orgulhar de um musical tão nacional como esse, mas, infelizmente, há que se dizer que microfones parecem ser necessários apesar da proximidade entre palco e plateia que o Teatro Maria Claro Machado providencia.
            Há duas forças na dramaturgia de “Bandeira de Retalhos”, quase toda em verso, o que é bastante positivo: de um lado, parte do morro precisa ser desocupada por ordem judicial e os moradores se reúnem para tratar do problema comum. De outro, o casamento de Tiana parece ruir quando volta para o Morro do bandido Bituca. O texto não joga bem com o desafio de dosar as duas forças, deixando apenas para as cenas finais o privilégio de uma delas. Durante toda a encenação, há um intercalamento regular (e monótono) das situações: ora o foco está numa, ora noutra impreterivelmente. Além disso, quando o assunto é política, o português fica correto, com ênclises que não parecem caber na boca daqueles personagens, plurais perfeitos, um discurso sem marcas de verdade. Dessa forma, cem minutos de apresentação se tornam longos, o que é negativo.
            “Bandeira de Retalhos”, apesar das falhas apontadas, é um bom espetáculo. Os personagens são fortes, o espaço é bem explorado, o tema é propício. A direção de arte de Rui Cortez só não é perfeita porque o quadro do João Paulo II é inadequado visto que, em 1977, o papa ainda era Paulo VI. Nos detalhes, nota-se um extremo cuidado, o resultado de um trabalho de exploração das possibilidades visuais de cada composição. O figurino de Pedro Sayad e Tita Nunes segue o mesmo padrão, fortificando a mistura de cores, de texturas, de geometria, de significados. O desenho de luz de Márcia Francisco também acrescenta pontos valorosos ao espetáculo na medida em que auxilia na composição dos quadros e dosagens dos tons. Bem executada, a trilha sonora tem o seu ponto alto em “Enquanto a tristeza não vem”, em um roteiro de canções tão fortes como os personagens que as entoam.
            Priscilla Marinho (Mãe Clara), Marília Coelho (Júlia) e Edson Oliveira (Sargento) são os pontos altos do elenco protagonizado por Marcelo Melo (Neno) e Kizi Vaz (Tiana), não menos excelentes. Os destaques elogiam a força em cena, a presença, a vivacidade, a energia posta em favor da narrativa. O mesmo não se vê, porém, em João Gurgel (Tuim), Sandro Mattos (João da Lua) e em Luiz Henrique Delfino (Pernambuco).
            De um modo geral, a encenação é imponente, orgulhosa e viva, deixando um saldo bastante positivo para quem for assistir. Há ótimos usos de linguagem, a divisão em níveis é rica, a ocupação do espaço é vibrante. “Bandeira de Retalhos” merece as plateias cheias que está ganhando.

*

Ficha Técnica
Direção Geral: Guti Fraga e Fátima Domingues
Texto: Sérgio Ricardo
Supervisão Dramatúrgica: Luiz Paulo Correa e Castro
Assistência de Direção: Tiago Barbosa
Direção Musical: Sergio Ricardo
Co-direção Musical: João Gurgel
Direção vocal/Canto:Tiago Barbosa
Preparação Rítmica: Wellington Soares
Direção de Movimento: Johayne Hildefonso
Iluminação: Márcia Francisco
Direção de Arte: Rui Cortez
Figurinos: Pedro Sayad e Tita Nunes
Preparação Vocal: Leila Mendes. Isabel Schumann e Roberta Bahia
Assistência de Direção de Arte: Rodrigo Abreu e Sammara Niemeyer 
Estagiária: Carolina Sugahara
Cenotécnica: Álvaro de Souza
Contra-regra: Dejaneth Idalice
Costureira da Bandeira de Retalhos: Tânia Dias
Montagem de Luz: Márcia Francisco, Arnaldo Nunes e Zezinho da Luz
Assistência de Figurino: Leonardo Brazas
Costureira dos figurinos: Claudia Ramos
Camareira: Goretth Bezerra
Operação de Som: Allan Felix de Souza
Design Gráfico: Marina Lufti
Fotos: Ricardo Gama
Vídeo de divulgação: Aléssio Slossel
Produção Executiva: Alessandra Barbosa e Bianca Fabre 
Assistência de Produção: Sandra Viola e Kiko Moraes
Assessoria Jurídica: Martins Associados Advocacia
Assessoria Contábil: LS Serviços Empresariais LTDA
Assessoria de Imprensa: Carla de Gonzales
Direção de Produção: Zezzé Silva

Elenco – ator/ personagem:
Alexandre Cipriano – SENHOR DUQUE
Alexis Abraham – DELIO DOS SANTOS/POLICIAL
Cida Costa – ANGÉLICA
Cláudio Tozer – JOÃO VELHO   
Danilo Batista – ENGENHEIRO 
Edson Oliveira – SARGENTO
Flavio Mariano – ISIDORO/POLICIAL
Francisca Damião – COSTUREIRA      
Jackie Brown – ANGELA/ POLICIAL
João Gurgel – TUIM
Kizi Vaz – TIANA    
Lorena Baesso – CONCEIÇÃO  
Luiz Henrique Delfino – PERNAMBUCO
Luzinete Barbosa –            DONA FÁTIMA
Marcelo Mello – NENO E POLICIAL
Maga Cavalcante – DONA ALZIRA/ POLICIAL/ GRÁVIDA  
Marília Coelho – JÚLIA     
Priscilla Marinho –  CLARA
Renan Monteiro – BITUCA/ MUSICO   
Rosangela Gonçalves – ANA MARIA NORONHA/ POLICIAL
Sandro Matos – JOÃO DA LUA E BENTO RUBIÃO

sábado, 14 de julho de 2012

Quase Normal (RJ)


Foto: divulgação

Para pensar e sentir

Quando a Diana de Vanessa Gerbelli diz a sua primeira fala cantando, o público já sabe que “Quase Normal” é um musical moderno (e moderno aqui não quer dizer contemporâneo), ou seja, por um lado, o texto não vai ser sobre uma professora inglesa que vai à Índia dar aulas de inglês ao sultão ou uma noviça que sai do convento para ser babá de sete crianças, tampouco de uma menina que se perde em uma cidade maravilhosa cheia de estradas de tijolos amarelos. O tema será algo da nossa realidade, um assunto palpável, discutível, polêmico. Por outro lado, em se tratando de músicas, não haverá canções, mas a peça inteira será cantada, do início ao fim, sem pausas. Stephen Soudheim foi quem popularizou o gênero nos Estados Unidos, trazendo assuntos fortes aos palcos da Broadway e afastando o melodrama com o seu próprio veneno: a volta da operetta. "Company", "Jesus Christ Superstar", "Hair" e "Little Night Music" são alguns clássicos desse gênero ao qual podemos facilmente ler “Quase Normal”, cuja direção geral (e versão brasileira) é de Tadeu Aguiar e produção de Eduardo Bakr e Norma Thiré.
Prêmio Pulitzer em 2010, o resultado final da dramaturgia é sinal de que Tom Kitt venceu grandes desafios. “Quase Normal” fala de doença, trata de uma mulher, uma mãe de família, que não conseguiu superar dores do passado e arrastou-se, durante quase vinte anos, de psiquiatra em psiquiatra, de remédios tarjas pretas e terapias, sem sucesso, trazendo sua família nessa problemática. Lá pelas tantas, (como também acontece na série americana “United States of Tara”), há a avaliação do tratamento. Se o resultado fosse positivo, a produção poderia ser lida como uma propaganda desse recurso. Se o sinal fosse negativo, a peça poderia ser interpretada como uma contra-propaganda. Para qual final correrá essa história? Uma vez que doenças são coisas mais sérias que sapatos vermelhos e fonética, é preciso ter responsabilidade para escrever uma peça como essa. Kitt teve e o resultado, no palco do Teatro Clara Nunes no Shopping da Gávea, convida o público a perceber essa delicadeza do texto, esse cuidado ao falar da cena com uma plateia incontável de pessoas usuárias de remédios tarjas pretas, amigos ou parentes, ou mesmo pessoas que, como os personagens, precisam saber lidar com as próprias dores e seguir adiante.
Com vários pontos a elogiar, os problemas de “Quase Normal” são da ordem da encenação. Como se disse, o texto faz força para fugir do idealismo, da alienação, do lugar perfeito e bonito. Tadeu Aguiar, no entanto, erra quando vai na contracorrente. Os figurinos de Ney Madeira, Dani Vidal e Paty Faedo são elegantes e alinhados, combinando e negativamente prenunciando cenas (Quando vemos o Doutor com gravata vermelha, sabemos que o vestido de Diana será vermelho. Quando vemos Diana de lilás, sabemos que Dan, o marido, aparecerá com uma camisa da mesma cor.). O cenário é uma sofisticada casa de um arquiteto, onde os móveis brilham e há requinte e bom gosto. As interpretações vão no mesmo sentido: Vanessa Gerbelli (Diana) cruza as pernas e deita as mãos com muita elegância do início ao fim da peça sem nenhuma curva dramática, como se esperaria após todas desventuras de sua personagem. Olavo Cavalheiro, loiro e de olhos azuis, exibe um corpo perfeito em roupas sempre muito limpas. Em resumo, em “Quase Normais” carece de feiúras, de sujeiras, de imperfeições, de símbolos estéticos que presentifiquem as dores pelas quais passam essa família, que ofereçam ao público marcas de verdade para que ele possa realmente acreditar na história que está assistindo ser contada.
Com direção musical e regência de Liliana Secco, todos os atores cantam bem as belas músicas. Cristiano Gualda (Dan, o pai) e Carol Futuro (a filha) são os pontos altos do elenco, de um modo geral, valoroso. Futuro interpreta a difícil Natalie, sem cor, sem vida, sem graça com muita generosidade, o que é bastante positivo. Gualda dá vida ao marido apaixonado pela esposa e pela família e que, também, como ela, precisa aprender a ter coragem para solucionar os problemas ao invés de simplesmente esquece-los. Victor Maia dá vida a Henry, o namorado de Natalie, que representa de forma alegre e jovial o suspiro que oxigena essa história positivamente. O ponto mais negativo do elenco é André Dias, cuja performance é dura e fria.
“Quase Normal” é uma produção que merece ser vista pelo tema sensível que a peça propõe, permitindo à assistência sair do espetáculo discutindo o que viu, pensando sobre a história, refletindo sobre os personagens. Com um elenco coberto de bons valores, apesar de alguns desacertos, e uma interpretação de trilha sonora magistral, eis aí um espetáculo digno de aplausos que há orgulhar os cariocas, sobretudo os mais sensíveis.

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Ficha técnica:
Elenco:
Vanessa Gerbelli, Cristano Gualda, Olavo Cavalheiro, Carol Futuro, Victor Maia e André Dias.

Texto: Tom Kitt  
Música e Letra: Brian Yorkey
Direção Musical e regência: Liliane Secco     
Versão brasileira e Direção geral: Tadeu Aguiar
Diretora assistente e Coreógrafa: Flavia Rinaldi
Figurinistas: Ney Madeira, Dani Vidal e Pati Faedo          
Cenógrafo: Edward Monteiro
Designer de luz: Rogério Wiltgen
Designer de som: Fernando Fortes
Preparação vocal: Mirna Rubin
Coordenação de produção: Norma Thiré
Idealização, coordenação do projeto e produção geral: Eduardo Bakr & Tadeu Aguiar - Estamos Aqui Produções Artísticas.

Era uma vez... Grimm


Foto: divulgação

Excelentes cantores em ótima produção

            “Era uma vez... Grimm”: a primeira coisa que se deve dizer sobre a produção dirigida por é que ela tem excelentes cantores. Diferente dos outros gêneros cênicos narrativos, um musical precisa de bons cantores antes de bons atores. Com destaque para a beleza da voz de Ester Elias, o elenco também composto por José Mauro Brant, Wladimir Pinheiro e Janaína Azevedo, providencia à audiência um excelente período de boa música, canções originais compostas por Tim Rescala, em um alto nível de execução, auxiliado, claro, pelo grupo de músicos que acompanham os cantores. Em cartaz no Sesc Ginástico, a produção celebra os 200 anos da publicação do livro do primeiro volume dos alemães Jacob e Wilhelm Grimm (1785-1863/1786-1859) de “Contos da Criança e do Lar”, uma coletânea de contos colhidos através da memória oral de vários colaboradores da dupla.
            O roteiro, assinado por José Mauro Brant, ao mesmo tempo em que trata da importância de contar as histórias, conta por si só duas histórias. Na produção, há a encenação dos contos: “O Junípero” e “Cinderella”, que acontecem em meio à narração da vida dos Irmãos Grimm e de sua importância para o estudo da língua alemã. Ali estão a crítica, as opiniões e também jogos com o metateatro, que divertem o público mais atento, além de belas canções. A direção de Brant e de Sueli Guerra, no entanto, carece de ritmo. Músicas e cenas não estão bem “casadas” em “Era uma vez... Grimm”, o que é uma pena, visto ser um espetáculo tão nobre. Em várias passagens, os atores visivelmente “esperam” a música começar, o que não deveria transparecer. Talvez o cenário de Ney Madeira, um livro aberto onde são projetadas imagens animadas de Ricardo e Renato Vilarouca a partir de desenhos de Rui de Oliveira e de onde partem os elementos de construção da cena, não favorece a rápida movimentação, a agilidade nos movimentos e variedade dos ritmos de cada seqüência. Os atores, para complicar, são também os contrarregras, o que prejudica também o andamento do todo.
            Todos os atores estão bem na produção, embora Wladimir Pinheiro pareça menos à vontade, isto é, menos flexível. É excelente a opção pela máscara branca que, além do caráter funcional, o de dar união aos dois atores que, na peça, são irmãos, dá o contexto europeu de início do século XIX. A máscara branca da maquiagem de Mona Magalhães neutraliza os atores que interpretam vários personagens, marcando positivamente o acerto. Os figurinos trazem valores positivos à produção pelos detalhes: vestidos, casacas, calças e perucas, todos, sem exceção, exibem um cuidado elogiável e bem posto.
            A produção acontece em duas versões, uma adulta (de que se tratou aqui) e uma outra infantil. Atende, assim, bem aos dois públicos, enfatizando, em cada uma, as possíveis relações de sentido que cada audiência pode dar.

*

FICHA TÉCNICA
Texto e Letras: José Mauro Brant (baseado na obra dos irmãos Grimm)
Música Original e Direção Musical: Tim Rescala
Direção: José Mauro Brant e Sueli Guerra
Supervisão: Miguel Vellinho
Elenco / vozes / personagens
José Mauro Brant – Tenor / Wilhelm Grimm, menino, irmã 1, príncipe
Wladimir Pinheiro – Barítono / Jacob Grimm, pai, irmã 2, lobo
Janaina Azevedo – Mezzo Soprano / Jeanette Hassenpflug, Dorothea Wieman e madrastas
Ester Elias – Soprano / Dorchen, Marlichen, Cinderela e Chapeuzinho Vermelho
Músicos:
Antonio Augusto e Alessandro Jeremias – trompa
David Ganc e Andrea Ernest Dias – flauta
Batista Jr e Lidiane Dias – clarinete
David Chew e Fernando Bru – violoncelo
Tina Werneck e Rubia Siqueira - viola
Cenografia e figurino: Espetacular! Produções & Artes - Ney Madeira, Dani Vidal & Pati
Faedo
Iluminação: Paulo César Medeiros
Desenho de som: Fernando Fortes
Animação gráfica: Renato e Ricardo Vilarouca
Direção de Movimentos e Preparação Corporal: Suely Guerra
Preparação vocal: Regina Luccato
Visagismo: Mona Magalhães
Assessoria de Pesquisa: Sylvia Maria Trusen e Karin Volobuef
Assessoria pedagógica e curadoria de mesas de debates: Cátedra UNESCO de Leitura
Fotos estúdio: Leo Aversa
Fotos de cena: Guga Melgar
Ilustrações: Rui de Oliveira
Projeto Gráfico: Maurício Grecco e Úrsula de Mello
Pianistas ensaiadores: Roberto Bahau e Eliara Puggina
Cenotécnico: André Salles e equipe
Adereços de Cena e Pintura de Arte: Derô Martin
Bonecos: Alexandre Guimarães e Marcos Nicolaiewsky
Costureiras: Atelier das Meninas
Alfaiate: Macedo Leal e equipe
Sapatos: Ernesto Nieto
Tricoteira: Ivanize Silva
Adereços de Figurino: ClaudiaTaylor
Perucas: Vicente Baptista
Cabeleireiro: Erben Cau
Montagem de luz - equipe Art Light
Assistente de dir. de movimentos: Priscila Vidca
Assistentes de Cenografia: Flora Oliveira e Vinícius Lugon
Assistente de Figurino: Renata Lamenza
Assistente de marketing cultural: Adriana Albuquerque
Assistente de produção: Luana Carvas e Carmem Lúcia
Assistente de iluminação - Julio Medeiros
Operador de som: Dug Monteiro
Operadora de Luz: Katia Barreto
Diretor de cena: André Salles
Contrarregra: Marcão
Camareiro: José Roberto
Marketing cultural: Gheu Tibério
Produção Executiva: Fabrício Polido
Direção de Produção: Lilian Bertin
Idealização: Belazarte Realizações Artísticas
Assessoria de Imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Popcorn (RJ)


Foto: Paula Kossatz

Maria Maya e Xuxa Lopes brilham no último texto de Jô Bilac

            Jô Bilac merece toda a fama que já tem. No texto de “Popcorn, qualquer semelhança não é mera coincidência” o espectador tem ao seu dispor um tipo de humor cáustico em personagens familiares em um univeso íntimo bastante próximo de Harold Pinter, sobretudo em seus últimos textos. Já comparado a Nelson Rodrigues, a dramaturgos brasileiros do século XIX, a Almodóvar e tantos outros, Bilac parece se reinventar a cada novo trabalho. Eis aqui o seu mais novo texto, o décimo terceiro produzido para teatro em menos de seis anos. Para o leitor, um ótimo texto. Para um espectador, um ótimo espetáculo.
            Dirigido pelo próprio Jô em parceria com Sandro Pamponet, “Popcorn” consiste em um espetáculo cômico, cujo riso vem menos dos diálogos e muito mais das boas interpretações. A trama versa sobre Márcia (Mabel Cezar), uma dona de casa sem nenhuma experiência literária, que oferece um jantar familiar em comemoração ao prêmio que vai receber na Noruega pelo seu primeiro livro, que virou um best seller. No jantar, estão seu pai Otávio (Cássio Pandolfi), um jornalista respeitado, e seu irmão Marcos (Vinícius Arneiro), professor universitário que sonha com a publicação de seus estudos, acompanhado de sua esposa Roni (Maria Maya), uma jovem espalhafatosa e indiscreta. A tensão se estabelece com a chegada da também convidada Saubara O’Donnor (Xuxa Lopes), famosa estrela de TV que pretende comprar os direitos do livro para rodar um filme. Além das relações familiares ruidosas que geram mal-estar, o clima pesa quando a estrela começa a relatar suas idéias para a adaptação do livro, que não agradam nem um pouco a autora estreante. A narrativa não-linear melhora o texto de Bilac, que não passaria de uma história sem grandes momentos não fosse o jeito de contá-la. A opção pela inversão das cenas, isto é, a intercalação não temporal das situações é um grande mérito porque chama a atenção do público para certos diálogos que dão início ou fim para cada seqüência. O jogo de ênfases ao longo da encenação é mérito da dupla de diretores.
            Maria Maya e Xuxa Lopes brilham em um elenco que têm boas participações de Mabel Cezar e Vinícius Arneiro. Maya parece “engolir” os colegas com uma interpretação absolutamente no ritmo: as falas são claras e ágeis, as intenções são bem postas, as “flechadas” são certeiras. Lopes acerta em manter-se discreta em boa parte da narrativa para, em dois momentos, mostrar um excelente trabalho, trechos em que é aplaudida em cena aberta. Em Cezar e em Arneiro, como nos melhores personagens de Pinter, estão os silêncios, os não-ditos, a força que dá “caldo” para história. Em Cássio Pandolfi, o ritmo cai negativamente, sem sabor, sem força, como se não tivesse importância.
            Nello Marrese constrói um cenário funcional e, em certa medida, requintado para dar lugar às conversas sobre fama, originalidade e memórias. Gabriela Campos acerta nos figurinos igualmente deixando Marcos e Otávio mais relaxados enquanto Márcia e Roni parecem estar mais produzidas e O’Donnor naturalmente elegante. Um aspecto essencial nesse tipo de narrativa, a iluminação marca o ritmo não-linear contribuindo com o espectador que faz a união das partes.
            Pelas vibrantes interpretações de Maria Maya e de Xuxa Lopes e, sobretudo, além do que já foi dito, pela leveza com que os diálogos fazem vir discussões mais profundas no texto de Jô Bilac, “Popcorn” há de garantir uma boa noite de entretenimento em alta qualidade.

*
Ficha Técnica:
Texto: Jô Bilac
Direção: Jô Bilac e Sandro Pamponet
Elenco (em ordem alfabética) / Personagens
Cássio Pandolfi / Otávio
Mabel Cezar / Marcia
Maria Maya / Roni
Vinícius Arneiro / Marcos
Xuxa Lopes / Saubara O’donnor
Direção de Movimento: Viétia Zangrandi
Cenário: Nello Marrese
Figurino: Gabriela Campos
Iluminação: Thiago Mantovani
Trilha Sonora: Jô Bilac
Preparação Corporal: Breno Guimarães
Preparação Vocal: Verônica Machado
Visagismo: Fabrizio Sá
Artes Gráficas: Marcelo Cravero
Fotos: Paula Kossatz
Direção de Palco: James Hanson
Assistência de Produção: Ana Terra e Jenny Mezencio
Produção Executiva: Letícia Napole
Realização: Maria Maya e Giba Ka
Assessoria de Imprensa: JSPontes Comunicação - João Pontes e Stella Stephany
Assessoria de Imprensa ‘No Lugar’ – Ocupação Teatro Ipanema: Daniella Cavalcanti

Sobre Jô Bilac:

Jô Bilac, 27 anos, formado pela Escola de Teatro Martins Pena, é dramaturgo e foi curador do Teatro Municipal Maria Clara Machado (Planetário) / RJ.

Seus textos encenados: 
"Os mamutes" direção Inez Vianna (SESC de Copacabana março 2012);
"Alguémacaba de morrer lá fora" direção Pedro Neschling (SESC Belenzinho São Paulo, nov. e dez. de 2011);
"O Gato branco" direção João Fonseca (Teatro Sergio Porto Rio de Janeiro, junho de 2011);
"Limpe todo sangue antes que manche o carpete" direção Erik Lenate (SESC Consolação São Paulo, Maio 2011);
"Omatador de santas" direção Guilherme Leme (OI Futuro Flamengo, agosto 2010);
"Savana Glacial" direção Renato Carrera (Sesc Copacabana Rio de Janeiro, março 2010);
"Rebú" direção Vinicius Arneiro (Cia dos Atores Rio de Janeiro, nov. 2009);
"Limpe todo sangue antes que manche o carpete" direção Vinicius Arneiro (Solar de Botafogo Rio de Janeiro, março de 2008);
"Cachorro!" direção Vinicius Arneiro (SESC Copacabana Rio de Janeiro, agosto de 2007);
"Desesperadas" direção Jô Bilac (Teatro Vanucci Rio de Janeiro, junho 2007);
"Bruxarias Urbanas" (Teatro Sergio Porto Rio de Janeiro, setembro de 2006).

Escreveu em parceria os textos: 
"Dois p/ viagem" com Miguel Thiré e Mateus Solano (Casa da Gávea Rio de Janeiro, julho de 2007);
"Serpente verde sabor maçã" com Larissa Câmara (em sua segunda montagem em cartaz em São Paulo, espaço Parlapatões, nov. e dez. de 2011).

Prêmios e indicações:
"Savana Glacial" Prêmio Shell de 2010 como melhor autor, indicado a melhor autor ao Prêmio APTR;
"O matador de santas" Prêmio Contigo 2011 como melhor autor;
"Rebú" Indicado como melhor autor ao prêmio APCA de São Paulo.
Indicado ao Prêmio Faz Diferença O GLOBO, como personalidade do teatro de 2010.
"Limpe todo sangue antes que manche o carpete" Prêmio de melhor autor Festival de Teatro de Cubatão/ SP 2012.

Cinema: 
"O silencio que precede o beijo" com Mayana Neiva;
"Coração na boca" com Pablo Sanábio e Elisa Pinheiro;
"As unhas vermelhas da noiva" com Ernesto Piccolo.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Tudo o que eu queria te dizer (RJ)


Foto: divulgação

A simples espetacularidade

                “Tudo o que eu queria te dizer” é um excelente espetáculo teatral a partir o livro homônimo de Martha Medeiros. Interpretado por Ana Beatriz Nogueira, a peça é dirigida por Victor Garcia Peralta e consiste na encenação das cartas que, são, na obra literária, os capítulos do livro. Cada carta é de um personagem diferente, endereçada a um ou mais personagens diferentes. Não há relações claras entre os textos que, na peça, viram cenas. Esse é o convite de Medeiros ao leitor e, também, a proposta de Peralta para o público. Em cartaz no Teatro das Artes, no Shopping da Gávea, o espetáculo é tão simples como nobre, tão profundo quanto humano, tão literário quanto teatral. Faz aquilo que se propõe fazer e, por isso, colhe o sucesso nessa temporada que já não é a sua de estreia.
                Personagem após personagem, carta após carta, Ana Beatriz Nogueira oferece ao público um delicado trabalho de interpretação. Embora seja o público tentado a encarar a evolução das cenas como um desafio (“como será que ela vai fazer a próxima personagem?”), o que se vê é jogo de entrega às nuances sutis e simbólicas de cada universo, recheando as narrativas com surpresas, altos e baixos, peripécias. Nas diferentes possibilidades do uso da voz e da riqueza de seus tons, não há, ao que parece, a vontade de aparecer, mas o desejo alcançado de fazer aparecer uma figura humana, como nós, como a atriz, como a autora. O resultado é uma celebração do momento de encontro: o teatro é, afinal, uma ocasião em que se festeja o homem e suas grandezas.
                A iluminação de Maneco Quinderé e a trilha sonora de Gabriel Mesquita são, ao mesmo tempo, potentes e belas. Acompanham o ritmo lhe propondo alterações, mas, também, contribuem no sentido de deixar o espetáculo simples mais espetacular. No palco, com a inteligente, porque atenta, direção de Victor Garcia Peralta, eis um exemplo de que, bem explorado, o pouco faz muito.

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Ficha técnica:
Texto: Martha Medeiros
Direção: Victor Garcia Peralta
Interpretação: Ana Beatriz Nogueira
Iluminação: Maneco Quinderé
Trilha Sonora: Gabriel Mesquita